Aldeia
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IGREJA PAROQUIAL

A igreja paroquial, dedicada a S. Pedro Apóstolo, que substituiu um primitivo edifício gótico, é obra da última vintena do séc. XVI fundada pelo arcebispo de Évora D. Teotónio de Bragança, que absorveu, sem destruição integral a abside manuelina. Já estava em construção no ano de 1586. 1534, data da VISITAÇÃO do bispo-infante D. Afonso, pelo que teve de ser reforçado por dois botaréus, um alpendre na porta principal e, no altar-mor, recebeu um frontal de azulejos do tipo sevilhano, além do retalhamento completo das coberturas.

 

IGREJA PAROQUIAL

A igreja paroquial, dedicada a S. Pedro Apóstolo, que substituiu um primitivo edifício gótico, é obra da última vintena do séc. XVI fundada pelo arcebispo de Évora D. Teotónio de Bragança, que absorveu, sem destruição integral a abside manuelina. Já estava em construção no ano de 1586. 1534, data da VISITAÇÃO do bispo-infante D. Afonso, pelo que teve de ser reforçado por dois botaréus, um alpendre na porta principal e, no altar-mor, recebeu um frontal de azulejos do tipo sevilhano, além do retalhamento completo das coberturas

De linhas majestosas e olhando o ocidente, domina o casario de aldeia.

A frontaria axial, de empena triangular, singela, é limitada por pilastras reforçadas de granito, em cujo eixo, de luneta ovóide, moldurada, se abre a portada, sobre degraus de pedra, com frontão quebrado e de insígnias de S.Pedro – as chaves, esfera do mundo e a cruz - em obra de estuque relevado.

No adro, sobranceiro, vultoso cruzeiro de mármore branco ornatado, na base, por símbolos mortuários.

Os prospectos laterais são robustecidos com três tramos de contrafortes sobrepujados por pináculos piramidais de alvenaria. Portada lateral sul, de frontão de enrolamento e janelas rectangulares com cornijas de grande balanço. O alçado posterior, muito pitoresco, dá acesso ao campanário, que é de agulha piramidal. Nele existe um sino de bronze fundido, com a tabela esculpida, de secção rectangular, figurada pela efígie de S. Pedro e o letreiro

ERA DE 1709

A nave, muito ampla e de singular altura, em planta rectangular, é coberta por tecto de meio canhão com caixotões geométricos divididos em três tramos de arcos formeiros apoiados em mísulas clássicas, que foram revestidos de pinturas morais, aparentemente de figuras sacras, agora caiadas mas vislumbráveis subjacentemente. Este corpo do edifício, de notória singeleza arquitectural, apenas tem de relativo merecimento o Baptistério, que também esteve recoberto de ornatos a fresco (barbamente repintados) e é fechado por gradeamento de ferro forjado, com cancelos de base quadrada, do séc. XVII; um pequeno painel quadrangular, representando o santo órago do templete, de madeira, de C.ª 1600 (alt 40xlargura 35cm) e o púlpito, de alvenaria e caixa rectangular, que se atinge por escada comunicante ao corpo da capela-mor, protegido de corrimão de ferragem seiscentista, com balaústres cilíndricos sobrepujados por pontas de lança, em grade que fecha, na totalidade, o espaço do mesmo presbitério. (actualmente , a parte central das ditas grades e duas colunas de granito, foram retiradas). Neste, que é aberto por arco mestre redondo, outrora recoberto de pinturas murais, existem três altares, incluindo o principal, que foi armado ao fundo da actual ousia após apeamento precipitado e infeliz, em 1950, do retábulo de talha dourada, apilastrado e de edícula, seguramente do 1º terço do séc. XVII.

No estado actual vêem-se, em consolas desgraciosas, três imagens antigas: S.Pedro, peça gótica, do século XVI, de calcário policromo, possivelmente de mestres da Catedral de Évora, que mede de alt. 70cm; S. Sebastião e Nª Sª da Conceição, ambas de madeira estofada, vulgares e com características do seiscentismo.

No fundo da tribuna do trono, igualmente desadornada na actualidade e obstruída, subsistem as abóbadas e arcos laterais, manuelinos, da primitiva abside de cª 1500, compostos por nervuras molduradas e em cruzaria, de tijolo, com fechos redondos, de granito, ornados de cordas e elementos flóricos. As mísulas são de forma prismática.

Os dois altares colaterais, estão crismados de Nª Sª do Rosário (evangelho) e S. Miguel (epístola). São de épocas e estilos diferentes.

O primeiro é adornado por altar de talha barroca de colunata salomónica, dourada e marmoreada, de alvores do reinado de D. João V, e o segundo, com retábulo do tipo clássico-dinterlado, de cª 1640, com colunas estriadas, do estilo coríntio, e restos de painéis de tábua, infelizmente perdidos por repinturas posteriores. S. Miguel, imagem adulterada, de madeira, é de meados do séc. XVIII.

No chão da capela de Nª Sª do Rosário (imagem de roca, sem valor artístico), conserva-se a única sepultura epigrafada da igreja, de mármore branco, seiscentista, onde jaz um sacerdote de nação irlandesa, de nome Patrício Velois e tendo, aos pés do letreiro um barrete esculpido, de curado:

AQVI IAS PATTRICIO VELOIS DE NASAM IBERNE. DOVTOR NA SAGRADA TEOLOGIA CVRA QVE FOI NESTA IGREJA DE SAM PEDRO DA GVAFANHOEIRA DOZANOVEANOS E FALESEU EM DOZASEIS DIAS DO MÊS DE AGOSTO DE 1674.

A sacristia dependência paupérrima, guarda algumas esculturas de madeira, vulgares : Santo António, S. Brás e S. Paulo, do séc XVII, e uma elegante e preciosa Virgem e o Menino, de pedra de Ançã, policroma, que se pode agrupar à actividade artística de um discípulo de mestre Nicolau Chaterene e ao seu período de Coimbra -1518-28-. É do maior interesse documental e artístico. Infelizmente, o Menino Jesus, que segura na mão uma pomba, não tem cabeça. Mede, alt. 73cm.

Dos antigos objectos sacros, de prata, da freguesia, destaca-se apenas, um cálice, de tintinábulas, nó de secção piriforme e base circular de ornatos insculpidos, no estilo de transição clássico-barroco, de cª de 1600. alt 24cm.

Dimensões da igreja: Comprimento 17,80 x largura 8,90.

Nota: Nem todos os objectos descritos fazem presentemente parte do património da igreja.

 

ERMIDA DE SANTO ESTÊVÃO

Vulgarmente denominada de Nª Sª das Necessidades, fica na Herdade das Hortas, a cerca de 5 km de Arraiolos, para a banda ocidental e atinge-se pela estr. Nac. Nº 4. Da sede da freguesia demora cerca de 6 km.

Antiga capela curada, já existente no ano de 1534, sofreu profunda modificação arquitectónica na 2ª metade do séc. XVII.

Nos alvores de setecentos, devido à profunda devoção de uma imagem de Nª Sª das Necessidades, oferecida ao templo, a respectiva confraria, que era abastada, conseguiu promover, com aparato, solenes festividades anuais que transformaram, pouco a pouco a romaria em sítio de peregrinação regional e promoveu, no último quartel da centúria, volumosa transformação arquitectónica.

Património da Casa de Bragança, encontra-se, ao presente muito abandonada.

A silhueta exterior do edifício, integrada no conjunto do casario da capelinha e irmandades, é muito curiosa e pitoresca. Numa destas empenas, voltada para o lado meridional, vê-se antigo relógio-de-sol, de mármore alentejano e em chaminé, ao norte, a data de 1873. A ermida olha para o ocidente, disposta com nartex de três arcadas redondas e frontão triangular ornamentado por obra relevada, em escaiola, reconstruída no ano de 1860. Remates pinaculares, populistas. O corpo posterior da sacristia, encimado pelo campanário de volutas com enrolamento, oferece grande carácter em trabalho de estilo barroco de alvores de setecentos; tem sino de bronze fundido, antigo. Coeva, parece a empena do extradorso da capela-mor, composta por volutas e fachos piriformes nos acrotérios.

O interior, de uma só nave, dispõe-se em planta rectangular com cobertura de meio canhão, possivelmente de prospectos da fundação, porquanto são visíveis composições morais, sobretudo lateralmente ao arco mestre, seiscentistas, de ornatos barrocos, subjacentes ases pinturas de tinta-de-água flóricas ou de caixotões geométricos (alguns forrados a papel, do século dezanove), sem valor artístico. O revestimento integral dos alçados, em azulejaria crono grafada de 1781, do tipo de caixilho losângico, a cor de vinho, amarelo e azul, anuncia a técnica da cerâmica industrial de oficina lisbonense, mas as barras, de roxo e sobretudo os painéis emoldurados que os subdividem, representando, em nuvens celestes a açucena da virgindade mariana, o sol, a lua e a estrela do Norte, concedem certa harmonia e dignidade ao ambiente. O tema contínuo do azulejo, seguramente intencional, é a representação naturalista do lírio do campo.

Na parede mestra, interior, do coro (que absorve na totalidade o vão do pórtico), existem dois retábulos integrados no conjunto cerâmico, que dizem:

ESTA AGOA BENTA ME SEJA SAVDE, E VIDA; E POR ELLA MINHAS VENIAES CVLPAS ESTINCTAS. ESTA ERMIDA HERA, D STº ESTEVO E POR DVASÃO HOJE HE DA Sª DAS NECESSIDADES. ESTA OBRA MANDÁRÃO FAZER OS DEVOTOS DE N.Sª DAS NECESSIDADES COM AS SVAS ESMOLAS, NO ANNO DE 1781. PEDE SE HVM P. N. AVA M.ª POR ESTES DEVOTOS

No corpo da nave, nada mais se recomenda ao observador, além do púlpito, semicircular, de alvenaria e base quadrangular, em cujo paramento dos degraus subsistem vestígios de frescos primitivos, e muitos ex-votos pintados sobre tábua e tela, dedicados a Nª Sª das Necessidades. Mede, a nave de comprimento 9,30 x largura 4,55m.

A capela-mor, sensivelmente quadrada (3,30x3,40m), de um só tramo, tem abóbada redonda ornada de sanefas, albarradas e grande florão axial, barroco, na figuração da Arca de Noé.

Menor interesse conserva as empenas laterais, iluminadas por três pinturas murais de secção ovolada, com S. Brás, Santa Luzia e Nª Sª do Carmo, talvez do séc. XVIII, como as anteriores, mas barbaramente restauradas.

O altar de talha dourada, é do reinado de D. João V. Compõe-se de retábulo distribuído em dois corpos barrocos, de colunata salomónica revestida de parras, e tímpano fechado por frontão duplo, apoiado em misuletas e envolvido de lambrequins, palmetas e vieiras. No centro, maquineta envidraçada, também de entalhe dourado, mas já de estilo rococó (talvez de 1781), em secção apilastrada e adosselada, onde se venera a actual padroeira, imagem de roca já existente no ano de 1716. Em consolas laterais vêem-se as esculturas, antigas, de madeira estofada, de Santo António e do protomártire Santo Estêvão, primitivo orago do templete. São ambas vulgares.

Presentemente este templo encontra-se em ruínas.

Antiga e coeva das grandes peregrinações de outrora, é a fonte vizinha da igreja, mais próxima da estrada pública, embebida no murete da hortinha das Hortas e envolvida por frondosas árvores de porte secular, que lhe concedem particular frescura. Tem prospectos recobertos de volutas com enrolamento e agulhados pináculos rompentes dos acrotérios, em silhoeta pitoresca, de profunda rusticidade e alvíssima pelo caio luminoso que o recobre, assim como as taças interior e exteriormente. Aquela, de mármore branco e secção rectangular, em formato de urna esculpida, ao modo seiscentista, é decorada por duas carrancas humanas e medalhões flóricos. O chafariz foi arranjado no ano de 1863

CAPELA DO ZAMBUJO

Relativamente perto, na herdade do Zambujo, que se diz ter sido patrimonial do Convento de S,: Domingos, de Évora, alienada depois de 1834, subsiste uma profanada ermida deste título, orientada para o lado sul e extremada angularmente, com o monte de habitação. Aparentemente de alvores do setecentismo e obra discreta de arquitectura barroca, de alvenaria, compunha-se de nave coberta por tecto de meio canhão, dividido em dois tramos, incluindo o presbitério, este arco mestre nascente a meia altura do vão. Foi revestida de pinturas morais, de ornatos e figuras adosseladas, perdidas na actualidade, mas de vestígios apreciáveis em 1964.

A frontaria, de empena com enrolamento e pilastras de estuque almofadados foi, também adulterada com abertura de amplo portal destinado a recolher carruagem e instrumentos agrícolas.

 
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Brasão:

Escudo de cor púrpura.

Galo de ouro cristado e barbaleado de vermelho, em chefe, evocando uma passagem bíblica de S. Pedro (apóstolo). sendo o mesmo orago desta freguesia e que lhe dá o nome Os ramos de sobreiro e as bolotas, são referência a uma das principais fontes de receita da freguesia.

Coroa mural de três torres, conforme está determinado para as freguesias que não são vila.

GAFANHOEIRA (S.PEDRO)

Freguesia banhada pela ribeira de vide, ocupa uma área de 45,17Km2 e dista cerca de 10Km da sede do concelho. Tem uma população de 623 habitantes (sensos de 2001).

Actualmente composta por 28 herdades: Corticeira, Romeira, Outeiro do Reguengo, Cangalhas, Carvalheiro, Luzes, Delgados, Carias, Hortas, Goulões, Celeiro do Reguengo, Sargacinho, Sargaço, Testos, Aldeão, Santo Estêvão, Zambujo, Quinta da Boa Hora, Horta do Sargaço, Canavouras, Monte da Chaminé, Courela Seca, Almargem, Barrocal Courela dos Peões, Monte da Loba, Negracha e Goulões.

De povoamento pré-romano como atesta a sua arqueologia, onde avultam os monumentos pré megalíticos, a localidade da Gafanhoeira já existia no século XII. Em 1 de Fevereiro de 1290, D.Dinis passou uma carta a Pedro Caria, fazendo dele povoador de reguengo de vide. Ordenava-lhe também que desse o dito reguengo a quarenta povoadores, que não fossem cavaleiros nem clérigos.

O diploma de D.Dinis estabelecia que “aqueles povoadores devem ser defesos e amparados assim como os outros seus homens privilégios”. Há quem ponha a hipótese de este reguengo ser a mesma vinha e herdade aforada por D. Afonso III em 1273; mas tudo o que se possa sobre isso dizer nunca passará de pura conjectura. O tempo foi introduzindo algumas alterações e relaxações no contrato de D.Dinis, até que, D.Manuel, no foral dado à vila de Arraiolos em 1511, declarou e estipulou as obrigações a que ficavam sujeitas as treze herdades que então formavam o mesmo reguengo. Passados poucos anos, em 14 de Março de 1526, estando em Arraiolos o duque de Bragança D. Jaime, como senhor da terra e do reguengo, celebrou novo contrato com os povoadores.

No tempo de D. Dinis, além das herdades aforadas aos povoadores do reguengo, havia na ribeira de Vide uma notável povoação. Os moradores dela levados pelas ideias e necessidades da sua época, instituíram, exemplo de outras terras, uma albergaria para pobres peregrinos. A mendicidade, já filha da verdadeira indigência, já das peregrinações religiosas da cristandade, requeria um remédio radical, ou pelo menos paliativo.

Acudiu-se-lhe com os hospitais e albergarias. Chamou-se esta nossa albergaria da Gafanhoeira, sem dúvida por se receberem nela os gafos, isto é leprosos. Parece que foi da instituição que se comunicou o nome à povoação. A albergaria era administrada por uma confraria de caridade e socorros mútuos, de compromisso legal. A instituição, muito decadente, foi salva por provisão da Junta do Estado da Casa de Bragança de 17 de Janeiro de 1817 e incorporada no hospital da vila de Arraiolos, com posse em 20 de Abril do mesmo ano.

A Igreja Matriz, dedicada a S. Pedro Apóstolo, que substitui um primitivo edifício gótico, é obra da última vintena do século XVI, fundada pelo arcebispo de Évora, D.Teotónio de Bragança. Já estava em construção no ano 1586. O antigo templo encontrava-se muito maltratado em 1534.data da visita do bispo-infante D. Afonso, pelo que teve de ser reforçado por dois botaréus, um alpendre na porta principal, e no altar-mor recebe um frontal de azulejos do tipo sevilhano, além do retalhamento completo das coberturas.

Nesta freguesia, na herdade do Celeiro do Reguengo, há uma ermida primitivamente dedicada a Santo Estêvão, cuja invocação perdeu para se chamar de Nossa Senhora das Necessidades, em razão de uma imagem desta senhora que atraiu maior devoção que o Santo.